Não descrevo-me em palavras, descrevo-me num momento, num sentimento, num gesto. Descrevo-me na indulgência de um sorriso, no reflexo de um olhar, nos sentimentos contidos em uma lágrima, na empolgação de uma risada. Descrevo-me na graça de uma piada, na tempestade de uma briga, na facilidade de um perdão. Descrevo-me no reluzir de uma estrela, no aroma de uma flor, no encantamento do nascer e pôr do sol. Descrevo-me nas fases da lua, no arrepio causado pelo frio, na exaltação do calor, no prazer em sassiar a fome, no descanso após o sono. Descrevo-me no calor de um abraço, no sabor de um beijo, no fervor de um carinho, na reação de um tapa. Descrevo-me nos traços de um desenho, no desejo de um sonho, no conteúdo de uma música, na esquisitisse de uma dança. Descrevo-me na força de minha fé, no poder do meu amor, na agitação da minha ira, na grandeza de meu orgulho. Descrevo-me no que gosto e não gosto, no que faço ou pretendo fazer, no que penso ou no que imagino. Descrevo-me no que sou, na trilha da minha vida, nos caminhos que andei, no que vivi, no que vivo, e no que ainda viverei. Talízia Neris